No Lollapalooza Chicago, herói local Chance the Rapper é aclamado por multidão na 3ª noite

Chance The Rapper se apresenta no Lollapalooza Chicago 2017 (Foto: Divulgação/Greg Noir)

Chance The Rapper se apresenta no Lollapalooza Chicago 2017 (Foto: Divulgação/Greg Noir)

A terceira noite de Lollapalooza Chicago, neste sábado (6), foi toda de Chance the Rapper, que reafirmou a posição de herói local. O cantor de 23 anos, nascido e criado em Chicago, atraiu uma parcela muito maior das 100 mil pessoas que vão por dia ao festival do que The Killers na noite anterior.

Com isso, o show do The xx, que aconteceu na mesma hora, teve muito mais espaço para dançar. Se não foi cheio como no Lolla SP, teve um clima mais solto, que tem a ver com a fase atual do trio londrino. Mais cedo, rolou Alt-J, Glass Animals, a volta do Live e uma “invasão sueca” das cantoras Zara Larsson e Léon.

Chance para Chicago

A devoção ao rapper foi tão grande que, em alguns momentos, a música dele e de sua banda, Social Experiment, ficava pequena no meio de tanta celebração. Fogos, discursos emocionados e participações de outro ídolo do rap de Chicago, Vic Mensa, marcaram a noite.

A base foi o disco vencedor do Grammy “Coloring book”, de hits como “Juke Jam”, com Justin Bieber. Mas ele também tocou faixas bem menos conhecidas, como “Sunday candy”, do álbum “Surf”- e podia ter cantado ainda mais obscuras. Ninguém ia achar ruim.

Cara certo na hora certa

Chance não tenta reinventar a roda a cada faixa, como Kanye West, Drake e outros concorrentes. Sua música é mais redondinha, e o ocasional toque gospel ajuda a criar aquele clima de festival de levantar a mão para o alto e fazer coro com a multidão.

Há muito marketing. O show começa com um vídeo em que gente como Michelle Obama fala bem dele, lembrando que ele doou US$ 1 milhão para a cidade de Chicago. No palco, Chance diz que vetou a transmissão na web pois queria que o show fosse “só para Chicago”.

Mas claro que há orgulho verdadeiro em uma época sensível. Chicago é um dos sacos de pancada de Donald Trump, que volta e meia fala mal da cidade democrata, berço de Obama, geralmente com números exagerados de violência.

Chance fala do orgulho da cidade o tempo inteiro no show, e lembra que estudou “ali na esquina”. “Vocês têm o poder. Coloquem pressão nos políticos para eles darem prioridade a vocês. Não importa quem seja o político”, aconselha.

Espaço para The xx

O “Chicago Tribune” chutou que 85% dos fãs no parque estavam no Chance the Rapper. O editor da “Time Out Chicago” diz que nunca viu um show principal tão cheio no evento. Com esta concorrência (e ainda o bombado DJ Kaskade no palco eletrônico), ficou fácil dançar na frente do palco do The xx do outro lado do Lolla.

A banda que era contida nos dois primeiros discos, lançou um terceiro mais dinâmico e já tinha feito shows soltinhos, inclusive no Lollapalooza SP. Agora, já tem momentos que é caso de palco eletrônico (se cuida, Kaskade). No final do show, o clima era festivo, com “On hold” deixando os músicos ex-tímidos ainda mais sorridentes que no Brasil.

Zara Larsson se apresenta no Lollapalooza EUA 2017 (Foto: Divulgação/Candice Lawler)

Zara Larsson se apresenta no Lollapalooza EUA 2017 (Foto: Divulgação/Candice Lawler)

Invasão sueca

Outro fenômeno de público, guardadas as proporções, foi a sueca Zara Larsson. Durante a tarde, em um dos palcos secundários, ela não teve problemas em deixar os fãs novinhos cantarem os refrãos de “So good”, seu primeiro lançamento mundial.

Zara tem ótima voz e está destinada a palcos maiores. Mas talvez não no Lolla. É um pop muito genérico, e o show tem até dançarinas fazendo coreografias com ela. O festival tem buscado mais cantoras pop, mas com ao menos uma pitadinha alternativa – Charlie XCX, Marina and the Diamonds, Halsey, Melanie Martinez.

A também sueca Léon é mais a cara do Lolla. Com ótimo vozeirão soul e carisma para ganhar um público um pouco menos teen, ela tocou a candidata a hit “Tired of talking” e covers de Arctic Monkeys e Fleetwood Mac. Não dá para não comparar a Joss Stone – ainda mais quando ela fica descalça no palco.

A banda Live retorna aos grandes festivais, com show no Lollapalooza, em Chicago (EUA) (Foto: Divulgação/Max Herman)

A banda Live retorna aos grandes festivais, com show no Lollapalooza, em Chicago (EUA) (Foto: Divulgação/Max Herman)

Live vive

O Live fez um show deslocado em sua primeira grande cartada para emplacar a volta com formação original após oito anos. Foi uma aposta isolada na nostalgia dos anos 90 entre fãs de estrelas mais jovens nesta edição do festival.

A banda de 1984, que bombou no auge do rock alternativo dos 90, é a mais velhinha das atrações de 2017. O fato de eles serem parte justamente da geração que deu à luz o Lollapalooza há 26 anos mostra como o tempo é implacável.

Eles tocaram em um palco pequeno, que não tem nem telão, e devem ter reunido todos os presentes com mais de 30 anos entre os 100 mil presentes neste sábado (não mais que 5% deles). Antigos fãs se esbaldaram, mesmo assim.