Trabalhadores de desfiles e blocos sonham com 2022 épico para compensar cancelamento da folia.

G1 ouviu profissionais do mundo do carnaval, que falam das dificuldades com o cancelamento necessário da festa, mas já sonham com o ano que vem. ‘Se a imunização for feita até outubro, vamos ter um supercarnaval de quatro meses’, diz presidente do Bola Preta.

“Em 2022, vamos ter um carnaval inesquecível”. A frase poderia ser de qualquer um dos milhares de profissionais que vivem do carnaval – ou de um dos milhões de ansiosos foliões. Mas fica ainda mais representativa na voz de Pedro Ernesto, presidente do Cordão da Bola Preta, bloco nascido no Rio no fim do ano da pandemia da gripe espanhola (1918) e que teve o seu primeiro carnaval em 1919 – considerado o “maior carnaval de todos”.

A esperança por uma aglomeração saudável, sem risco de Covid, foi o que restou em 2021 para quem trabalha com o “maior espetáculo da Terra”. O G1 conversou com pessoas diretamente envolvidas com a festa que, segundo a Riotur, atraiu 2 milhões de turistas e movimentou cerca de R$ 4 bilhões em 2020 – um estudo da Fundação Getúlio Vargas estima que este ano seriam até R$ 5,5 bilhões.

 Sem questionar a necessária decisão de se cancelar a folia diante da pandemia que matou mais de 31 mil só no estado, eles falam sobre dificuldades, superações e expectativa da realização do espetáculo de forma segura no ano que vem.

Superação e falta de dinheiro

Uma estimativa do G1 com base em entrevistas com diretores de escolas aponta que cerca de mil trabalhadores atuem em cada escola de samba do Grupo Especial para fazer um desfile.

São ferreiros, pintores, aramistas, eletricistas, costureiras, aderecistas, passistas, ritmistas e muitos outros profissionais trabalham o ano inteiro para dar vida a um espetáculo de, no máximo, de 75 minutos na Sapucaí. Gente que teve que se virar para pagar as contas com o cancelamento da festa.

A rainha de bateria da Mangueira, Evelyn Bastos, contou que teve sua estabilidade financeira e emocional abalada. Formada em educação física pela Universidade do Estado do RJ (Uerj), viu contratos publicitários sumirem, mas conseguiu se virar: aproveitou para intensificar suas consultorias de atividade física.

“A pandemia atinge drasticamente a nossa vida profissional (…) Na época de carnaval, as mulheres procuradas para fazer uma propaganda ou publicidade são as rainhas de bateria. E esse ano não teve (…) Esse ano, eu intensifiquei as consultorias, peguei mais alunas e eu quis me entupir de trabalho de um outro lado meu, já que a Evelyn rainha de bateria vai ficar off no carnaval de 2021.”

FONTE

Por Cristina Boeckel, Jorge Soares, Matheus Rodrigues e Raoni Alves, G1 Rio.

FOTO: REPRODUÇÃO INTERNET